23-12-2009
O Madeiro!
Esta é uma das imagens que me acompanha desde a infância. O Madeiro de Penamacor, minha terra Natal. Passada a infância e os primeiros anos da juventude, mais do que as prendas, era a fogueira que nos atraia na noite de Natal. Depois da ceia, ou da Missa do Galo, o local de encontro dos amigos (alguns que apenas iam duas vezes por ano à terra) era o Madeiro. O lume enorme abafava o frio seco da noite e da madrugada. As varas longas ou os martelos em madeira iam coçando os trocos e as raízes das árvores ao mesmo tempo que se dizia: “Arde madeirinho”!
Cada um levava qualquer coisa de beber ou de comer. Em alternativa, quando chovia, “visitávamos” as adegas e as casas mais próximas. O vinho e os enchidos, o pão e o queijo juntavam-se às filhoses da época. Raramente faltava o acordeão e a concertina, bem como as cantorias natalícias, cujas quadras variavam conforme o seu intérprete e abriam o espaço para a desgarrada. Naquela noite, todos sabíamos cantar.
Perdíamos a noção do tempo, num local onde o tempo tinha todo o espaço do mundo.
Esta semana, um amigo perguntou-se se eu ia a Penamacor. Respondi-lhe que sim. Vou no sábado. Retorquiu: ainda vais a tempo de ver o Madeiro!
Festas Felizes para cada um de vós e para os vossos familiares.